Psicóloga digitando prontuário eletrônico com credencial CRP e bandeira do Brasil na mesa
Compliance18 de março de 20266 min de leitura

Prontuário eletrônico em psicologia: o que a lei exige em 2026

CFP, LGPD e Resolução 09/2024 — entenda exatamente o que a legislação exige no prontuário eletrônico do psicólogo e como se adequar.

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O prontuário eletrônico é um documento legal, ético e clínico. Com a digitalização acelerada da prática clínica e a entrada em vigor da Resolução CFP nº 09/2024, as exigências sobre o prontuário eletrônico do psicólogo ficaram mais claras — e mais rígidas.

Neste artigo, você encontra um guia completo sobre o que a lei exige, o que pode gerar infração ético-disciplinar e como um sistema adequado deve funcionar.

O que é o prontuário psicológico?

O prontuário psicológico é o conjunto de documentos que registra os dados do paciente, o processo terapêutico e as intervenções realizadas pelo psicólogo. Ele é regulamentado principalmente por:

O que deve constar no prontuário eletrônico?

Segundo a Resolução CFP 001/2009 e os complementos da Resolução 09/2024, o prontuário deve conter:

Dados de identificação do paciente

  • Nome completo, CPF, data de nascimento
  • Contato (telefone, e-mail)
  • Responsável legal (quando aplicável — menores, pacientes com curatela)

Dados do processo terapêutico

  • Data de cada sessão e duração
  • Tipo de atendimento (presencial, online)
  • Modalidade (individual, casal, grupo, familiar)
  • Queixa principal e hipóteses diagnósticas
  • Intervenções realizadas e resposta do paciente
  • Plano terapêutico e objetivos

Documentos complementares

  • Anamnese inicial
  • Laudos e pareceres
  • Resultados de testagem psicológica
  • Encaminhamentos realizados
  • Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)

O que exige a Resolução CFP 09/2024?

A Resolução 09/2024 regulamentou o uso de inteligência artificial e tecnologias digitais na prática psicológica. Suas principais exigências para o prontuário eletrônico são:

1. IA como auxílio, nunca como decisão autônoma

O psicólogo pode usar IA para apoiar a elaboração de documentos clínicos, mas a responsabilidade clínica e ética é sempre do profissional. Qualquer nota gerada por IA deve ser revisada e assinada pelo psicólogo.

Implicação prática: sistemas que geram notas por IA devem sempre apresentar o output como rascunho — nunca como documento final. O psicólogo revisa, edita e assina.

2. Consentimento informado para uso de tecnologias

Quando o atendimento envolve gravação, processamento por IA ou armazenamento em nuvem fora do controle exclusivo do psicólogo, o paciente deve ser informado e consentir expressamente.

O TCLE deve mencionar:

  • Quais tecnologias são usadas
  • Onde os dados são armazenados
  • Quem processa os dados (ex: serviços de IA terceirizados)
  • Como o paciente pode revogar o consentimento

3. Sigilo e proteção de dados

Dados do prontuário eletrônico são dados sensíveis nos termos da LGPD (art. 11). O psicólogo como controlador de dados deve garantir:

  • Acesso restrito (autenticação segura)
  • Criptografia dos dados em trânsito e em repouso
  • Não compartilhamento com terceiros sem base legal
  • Possibilidade de exportação e exclusão dos dados pelo titular

4. Armazenamento e prazo de guarda

  • Prontuário de adultos: mínimo 5 anos após o último atendimento (CFP 001/2009)
  • Prontuário de menores: até o paciente completar 25 anos ou por 5 anos após o último atendimento, o que for maior
  • Dados de pacientes falecidos: 20 anos

O que pode gerar infração ética?

De acordo com o Código de Ética do Psicólogo, constituem infrações relacionadas ao prontuário:

CondutaBase legalPenalidade possível
Não manter prontuário dos pacientesArt. 17 do Código de ÉticaAdvertência
Revelar informações do prontuário sem autorizaçãoArt. 9º do Código de ÉticaCensura pública
Dar acesso não autorizado a terceirosArt. 9º + LGPDCensura pública + multa ANPD
Usar sistema de IA sem informar o pacienteResolução CFP 09/2024Advertência
Assinar nota que não elaborou nem revisouArt. 2º do Código de ÉticaSuspensão temporária
Vazamento de dados clínicos por negligênciaLGPD art. 46 + Código de ÉticaSuspensão + responsabilidade civil

Como saber se estou em situação irregular?

Três sinais de alerta que indicam risco de infração ética ou legal:

  1. Você usa planilhas ou Word como prontuário — sem autenticação, sem auditoria de acessos e sem assinatura digital conforme exige a Resolução 09/2024.
  2. Seu TCLE não menciona IA nem armazenamento em nuvem — se você usa qualquer software que armazene dados em servidor de terceiros, isso deve estar documentado no consentimento.
  3. Você não consegue exportar ou excluir dados de um paciente — a LGPD (art. 18) garante ao titular o direito de portabilidade e exclusão. Se seu sistema não oferece isso, você está em desconformidade.

Checklist: audite seu prontuário eletrônico agora

Responda sim ou não para cada item — todo "não" é um ponto de adequação necessário:

  • Meu sistema exige senha para acesso e registra quem acessou e quando?
  • Meu TCLE menciona o uso de tecnologias digitais e IA, se aplicável?
  • Os dados dos pacientes são criptografados em repouso e em trânsito?
  • Notas geradas por IA são apresentadas como rascunho e exigem minha assinatura?
  • Consigo exportar o prontuário completo de um paciente em PDF?
  • Consigo excluir completamente os dados de um paciente quando solicitado?

O que um sistema de prontuário eletrônico adequado deve oferecer?

Um sistema em conformidade com a legislação brasileira para psicólogos deve ter:

Autenticação segura — login com senha forte, proteção contra acesso não autorizado ✅ TCLE digital — coleta de consentimento com IP e timestamp ✅ Criptografia — dados em repouso criptografados (mínimo AES-256) ✅ Assinatura digital de notas — com hash SHA-256 para integridade ✅ Auditoria de acessos — log de quem acessou e quando ✅ Exportação de dados — em PDF ou JSON, para portabilidade (LGPD art. 18) ✅ Exclusão de conta — possibilidade de deletar conta e dados (LGPD art. 18, VI) ✅ Notas IA como rascunho — output de IA nunca é documento final

Como o PsiNota AI atende esses requisitos?

O PsiNota AI foi desenvolvido desde o início com a Resolução CFP 09/2024 como diretriz:

  • Consentimento digital com IP, timestamp e token único por sessão
  • Criptografia AES-256-GCM para CPF e transcrições
  • Notas sempre como RASCUNHO até o psicólogo revisar e assinar
  • Assinatura com hash SHA-256 — garante integridade do documento
  • Log de auditoria de todas as ações críticas
  • Exportação de prontuário completo em PDF
  • Exclusão de conta com limpeza automática de dados (LGPD)

Em resumo: o prontuário eletrônico em psicologia precisa garantir confidencialidade, integridade e disponibilidade. A Resolução 09/2024 adicionou camadas importantes sobre uso de IA e consentimento digital. Escolha um sistema que foi construído para esses requisitos — não um software genérico adaptado.

Dúvidas? Consulte sempre o CFP (cfp.org.br) e seu conselho regional para orientação específica.

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