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O atestado psicológico é um dos documentos que psicólogos mais emitem no dia a dia — e um dos que mais geram dúvidas sobre o que pode e não pode constar. Emitir um atestado com informações inadequadas pode gerar processo ético; deixar de emitir quando o paciente precisa pode prejudicá-lo.
Este guia cobre o que você precisa saber para emitir atestados corretamente em 2026.
O que é o atestado psicológico
O atestado psicológico é um documento que certifica um estado, condição ou fato relacionado ao paciente. É mais simples que o laudo — não exige descrição do processo de avaliação, instrumentos utilizados ou análise aprofundada. Serve para comunicar um fato clínico de forma objetiva a uma terceira parte (empregador, escola, órgão público, plano de saúde).
Os tipos mais comuns de atestado:
- Atestado de afastamento: certifica incapacidade temporária para trabalhar
- Atestado de acompanhamento: confirma que o paciente está em tratamento psicológico
- Atestado de condição psicológica: afirma presença ou ausência de condição específica para um fim específico (ex: capacidade para determinado cargo)
- Atestado de comparecimento: documenta a presença na sessão
O que deve constar no atestado
O atestado psicológico deve incluir obrigatoriamente:
- Identificação do paciente: nome completo, data de nascimento (e CPF quando necessário para o contexto)
- O fato atestado: de forma clara e objetiva
- Período de afastamento (quando aplicável): datas de início e fim
- CID (quando pertinente e autorizado pelo paciente): consulte a próxima seção
- Identificação do psicólogo: nome completo, CRP com estado e número de registro
- Data de emissão
- Assinatura do psicólogo
Sobre o uso de papel timbrado
O atestado deve ser emitido em papel timbrado do profissional ou da clínica — com nome, CRP e contato. Atestados em folha em branco têm menor validade formal e geram dúvidas sobre autenticidade.
O que NÃO deve constar no atestado
- Diagnóstico detalhado sem necessidade: o atestado não é laudo. Mencione apenas o necessário para o propósito específico
- Informações de terceiros mencionados pelo paciente nas sessões
- Conteúdo das sessões — o atestado não é um resumo clínico
- Prognóstico ou estimativas de tempo sem base clínica sólida
- Afirmações sobre capacidade laboral permanente sem avaliação pericial formal
CID no atestado: quando incluir
A inclusão do CID-10 ou CID-11 no atestado é um ponto que merece atenção. O CID é informação sensível de saúde (protegida pela LGPD) e pode gerar consequências para o paciente (seguro de vida, plano de saúde, processos seletivos).
Inclua o CID quando:
- O paciente autoriza explicitamente e o contexto exige (ex: INSS requer CID para perícia)
- A omissão do CID inviabiliza o propósito do atestado
- Você tem diagnóstico clínico fundamentado (não apenas hipótese)
Não inclua o CID quando:
- O atestado é de acompanhamento ou comparecimento (CID não é necessário)
- O paciente não autorizou explicitamente
- A inclusão do CID pode prejudicar o paciente no contexto de uso
Quando você optar por não incluir o CID, pode usar a expressão "por motivo de saúde" — que é suficiente para a maioria dos empregadores.
Modelos de atestado
Modelo 1 — Atestado de afastamento (sem CID)
ATESTADO PSICOLÓGICO
Atesto que o/a Sr./Sra. [NOME COMPLETO], nascido/a em [DATA DE NASCIMENTO],
encontra-se em acompanhamento psicológico neste consultório e necessita de
afastamento de suas atividades laborais pelo período de [X] dias,
contados a partir de [DATA INÍCIO].
[Cidade], [DATA DE EMISSÃO]
[NOME DO PSICÓLOGO]
CRP [NÚMERO/ESTADO]
[CONTATO]
Modelo 2 — Atestado de afastamento (com CID)
ATESTADO PSICOLÓGICO
Atesto que o/a Sr./Sra. [NOME COMPLETO], nascido/a em [DATA DE NASCIMENTO],
portador/a do CID-11 [CÓDIGO] ([NOME DA CONDIÇÃO]), encontra-se em
tratamento psicológico e necessita de afastamento de suas atividades
laborais pelo período de [X] dias, a contar de [DATA INÍCIO].
[Cidade], [DATA DE EMISSÃO]
[NOME DO PSICÓLOGO]
CRP [NÚMERO/ESTADO]
[CONTATO]
Modelo 3 — Atestado de acompanhamento
ATESTADO PSICOLÓGICO
Atesto que o/a Sr./Sra. [NOME COMPLETO], nascido/a em [DATA DE NASCIMENTO],
encontra-se em acompanhamento psicológico regular neste consultório desde
[MÊS/ANO], com sessões de frequência [semanal/quinzenal], para os fins
que se fizerem necessários.
[Cidade], [DATA DE EMISSÃO]
[NOME DO PSICÓLOGO]
CRP [NÚMERO/ESTADO]
[CONTATO]
Modelo 4 — Atestado de comparecimento
ATESTADO DE COMPARECIMENTO
Atesto que o/a Sr./Sra. [NOME COMPLETO], portador/a do CPF [NÚMERO],
compareceu a consulta psicológica neste consultório no dia [DATA],
no horário das [HORA INÍCIO] às [HORA FIM].
[Cidade], [DATA DE EMISSÃO]
[NOME DO PSICÓLOGO]
CRP [NÚMERO/ESTADO]
[CONTATO]
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Atestado x Laudo: quando um não substitui o outro
Uma confusão comum: o empregador ou órgão solicita um "laudo" mas aceita um atestado — e vice-versa. A distinção técnica é:
Atestado: certifica um estado ou fato. Não exige processo de avaliação formal. Pode ser emitido com base no acompanhamento terapêutico.
Laudo psicológico: documento técnico resultante de avaliação psicológica formal. Exige anamnese, instrumento(s) validado(s), análise dos resultados e conclusão fundamentada. É ato privativo do psicólogo e mais complexo que o atestado.
Se o que está sendo solicitado requer avaliação pericial (capacidade para o trabalho, guarda de filhos, interdição), o atestado não é adequado — é necessário um laudo pericial psicológico.
Responsabilidade ética ao emitir atestados
O psicólogo responde eticamente pelo conteúdo dos documentos que assina. Emitir atestados falsos ou exagerados (afirmar incapacidade sem fundamento clínico) é infração ética grave, podendo resultar em processo no CRP.
Ao mesmo tempo, negar atestado quando há fundamento clínico para emiti-lo também pode configurar omissão que prejudica o paciente. Se você tem dúvida sobre o que pode atestar, consulte o CRP da sua região — todos oferecem orientação ética gratuita para psicólogos registrados.
Guardar registros dos atestados emitidos
Mantenha sempre uma cópia do atestado emitido no prontuário do paciente, com:
- Data de emissão
- Conteúdo do atestado
- Finalidade informada pelo paciente
- Registro de que o paciente autorizou a inclusão de CID (quando aplicável)
Esse registro protege você em caso de questionamento posterior sobre o conteúdo do documento.
